"Só quando livre, realmente livre, uma pessoa é capaz de aprender; ela é, então, ao mesmo tempo instrutor e discípulo. (...) Isso só se torna possível quando se percebe a importância de vermos, de observarmos, por nós mesmos, as coisas tais como são. Em geral, estamos pouco cientes de nosso interior. Não sei se já observastes as pessoas que estão sempre a falar de si; da posição que a si próprias atribuem na vida: 'Eu, em primeiro lugar; tudo o mais é secundário'. Para que possa haver cooperação, comunhão e comunicação entre nós, é claro que tem de desaparecer essa barreira - 'Primeiro eu, e tudo mais é secundário'. O 'eu' assume desmedida importância e se manifesta de inúmeras maneiras. Eis porque se tornam perigosas as organizações, embora tenhamos necessidade de organização. Os que se acham à testa de uma organização ou empunham o poder da organização se tornam gradualmente a fonte da 'autoridade'. E com tais pessoas é impossível cooperar, comungar."
"Nós temos de criar um mundo novo. Isto não são meras palavras, uma mera idéia: temos realmente de criar um mundo totalmente diferente, onde, como entes humanos, não vivamos a batalhar uns contra os outros e a entredestruir-nos; onde um indivíduo não domine outro com suas idéias ou seu saber; onde cada ente humano seja realmente, e não teoricamente, livre. Porque só nessa liberdade se pode estabelecer a ordem no mundo. Vamos, pois, se possível, desembaraçar-nos da rede que tecemos em redor de nós mesmos, a qual impede a cooperação, a qual nos separa e cria tanta ansiedade, e tristeza, e isolamento."
A libertação dos condicionamentos, de J. Krishnamurti (Ed. I.C.K.)
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